17. dezembro 2025

Quem se ocupa do Evangelho descobre o amor de Jesus, que permanece apesar de todos os obstáculos. Ao segui-lo de forma consequente, esse amor liberta do medo e une.

No Serviço Divino de domingo, 9 de novembro de 2025, em Bülach (Suíça), o Apóstolo-Maior Jean-Luc Schneider centrou-se numa pergunta fundamental: o que acontece quando Cristo realmente habita nos nossos corações? Partindo da palavra bíblica: “Por esta causa dobro os meus joelhos perante o Pai […] para que Cristo habite, pela fé, nos vossos corações, a fim de que estejais arraigados e fundados em amor” (Efésios 3:14 e 17), mostrou como a fé, o amor e a unidade caminham lado a lado.

A transmissão para a área do Apóstolo de Distrito da Suíça faz com que as comunidades, muitas vezes muito pequenas, tomem consciência de que fazem parte de uma grande comunidade mundial. A presença de todos os Apóstolos de Distrito que atuam em todo o mundo completou esta imagem e tornou palpável a dimensão internacional da Igreja: “A Obra de Deus é muito maior do que aquilo que vês.” Partindo desta imagem da Igreja mundial, o Apóstolo-Maior explicou a missão do apostolado: preparar os fiéis para o retorno de Cristo e estruturar a Igreja de tal forma que ela possa cumprir a sua missão também nas próximas décadas. Isto também como “colaboradores para a alegria dos crentes”.

No entanto, essa alegria corre o risco de se perder numa certa “banalização”, onde tudo é colocado no mesmo nível: as notícias, as opiniões, as redes sociais e o Evangelho — “É tão importante saber o que o vizinho fez nas férias como aquilo que diz o Evangelho.” Aqui, a missão dos Apóstolos é ajudar a recolocar no centro o que é essencial: a Boa-Nova, o Evangelho de Jesus Cristo.

Olhos abertos para Jesus!

Para redescobrir essa alegria, o Apóstolo-Maior convidou a fixar conscientemente o olhar em Jesus. Recordou como o Filho de Deus deixou a sua glória, assumiu a condição humana, sofreu e morreu. Nos Evangelhos encontramos este Jesus: corajoso, consequente, cheio de confiança em Deus. O Apóstolo-Maior Schneider convidou a comunidade a ocupar-se novamente mais com o Evangelho:
“Toma tempo para voltar a lê-lo. Voltemos a falar de Jesus. De como Ele se comportou, como venceu, como reagiu. Quanto mais nos ocuparmos disso, mais Cristo poderá viver em nós.”

Em seguida, aprofundou a consciência sobre a reação radical de Jesus diante do afastamento das pessoas: “Ele humilhou-se, assumiu a condição humana, renunciou à sua glória, à sua omnisciência, à sua omnipotência e tornou-Se um ser humano simples e comum.”
O Apóstolo-Maior Adjunto acrescentou na sua contribuição à prédica: “Tornou-se uma criança pequena, teve de aprender a comer e a beber, a andar, a escrever e a ler.”

Num mundo em que o ódio é respondido com ódio e o medo com medo, Jesus deixou-se bater, cuspir e escarnecer, respondendo a todo esse sofrimento com as palavras: “Pai, perdoa-lhes.” Após a sua ressurreição, Jesus fez a Pedro uma pergunta bem conhecida, que mostra que esta fé e este amor não são nada teóricos nem complicados, mas muito simples: “Pedro, amas-me?”

Quando o amor se torna consequente

Responder a este amor com amor e seguimento não é, contudo, algo fácil: “Jesus disse às pessoas: segue-me, deixa tudo o que tens, renega-te a ti mesmo. Para muitos cristãos de hoje, isso é demais.” Existe a tendência de relativizar tudo muito rapidamente, pensando que não deve ser entendido exatamente assim. “Este é o problema de uma parte do cristianismo e receio que também de alguns cristãos novo-apostólicos.” Considera-se exagerado, extremo, como se não tivesse de ser assim.

Mas quem segue Jesus com amor já não tem dificuldade em guardar os mandamentos de Deus, mesmo quando são exigentes. Não temos problema em “renunciar àquilo que nos separa de Jesus Cristo, do seu sentir”. Aceitamos também que, de vez em quando, surjam tentações, porque seguimos Jesus Cristo.

Abertos sem medo, um em Cristo

O Apóstolo-Maior apontou claramente um adversário decisivo desse amor: o medo. Baseando-se na palavra “no amor não há temor”, descreveu como a incerteza em relação ao futuro e as tensões sociais nos levam a retrair-nos, a “proteger o nosso pequeno mundo” e, sobretudo, a pensar em nós mesmos e na nossa própria família. Assim, o horizonte do amor torna-se cada vez mais estreito.

Cristo, pelo contrário, “foi ao encontro de todos. Amou todas as pessoas sem distinção. Porque confiava em Deus, abriu-se em vez de se fechar. Foi ao encontro dos pecadores, foi ao encontro dos estrangeiros.”

O Apóstolo-Maior Adjunto Helge Mutschler reforçou esta ideia ao falar do medo generalizado “do futuro e do encontro com o próximo”. Mas quando o ser humano compreende verdadeiramente o quanto Jesus o ama, esse amor expulsa o medo e liberta-o para se aproximar dos outros.

Deste amor sem medo nasce a disponibilidade para servir o próximo. O seguimento significa dar tanta importância às necessidades dos outros como às próprias, sem se negar a si mesmo, mas também sem se refugiar na zona de conforto. O Apóstolo-Maior direcionou então o olhar para a unidade da comunidade: “Então damos conta de que estamos juntos porque Jesus nos reuniu.” Isso implica aceitar-se mutuamente, fazer concessões e lidar com os conflitos olhando para Cristo.
Sejamos um em Jesus Cristo, porque essa é a condição para alcançarmos a comunhão com Jesus Cristo.”

Assim, o Apóstolo-Maior e o Apóstolo-Maior Adjunto traçaram juntos uma imagem clara: Cristo quer habitar nos corações para que o seu amor expulse o medo, fortaleça a fé, acenda o amor ao próximo e una a comunidade. Quem volta a concentrar-se n’Ele, lê os Evangelhos, fala d’Ele e confia n’Ele, pode já hoje experimentar uma antecipação do céu, com um amor que une e liberta.