- Table of content
- Prefácio
- 1 Manifestações divinas
- 2 Profissão de fé
- 3 Deus Trino
- 4 O Homem carente de salvação
- 5 Os mandamentos de Deus
- 6 A Igreja de Jesus Cristo
- 7 O ministério
- 8 Sacramentos
- 9 A vida após a morte
- 10 Doutrina das coisas futuras
- 11 Sobre a história da Cristandade
- 12 Serviço divino, atos de bênção e assistência pastoral
- 13 O cristão novo-apostólico e a sua vida de fé
- Anexo
8 Sacramentos
Os sacramentos são comunicações fundamentais da graça de Deus. São atos sagrados, praticados unicamente no ser humano, para que este alcance a salvação, sendo admitido na comunhão de vida com Deus e sendo mantido nela. A receção dos três sacramentos cria a possibilidade de poder ficar unido ao Senhor aquando da revinda de Cristo.
A salvação nos sacramentos é baseada na encarnação, na morte sacrificial e na ressurreição de Jesus Cristo, bem como no envio e na atuação do Espírito Santo.
No Novo Testamento não se encontra o termo "sacramento". Originalmente, o termo "mysterion" (mistério), que em algumas traduções da Bíblia para o latim antigo foi reproduzido como "sacramentum", não tem qualquer ligação com os atos que, mais tarde, são designados de sacramentos. Na antiguidade, o termo "mysterion" descreve uma atividade secreta, à qual só os iniciados têm acesso.
Na cultura romana, "sacramentum" tem, entre outras aceções, o significado de "juramento de bandeira", "consagração" e "caução". No decurso do século II e III d.C. os termos "mysterion" e "sacramentum" tornam-se designações de atos rituais. Por exemplo, Tertuliano (aprox. 160—220 d.C.): embora não relacione expressamente o juramento de bandeira dos soldados ao ato do batismo, estabelece a relação com a promessa de batismo e o catecismo. O contributo mais importante para chegar à interpretação dos sacramentos é dado na Antiguidade Tardia pelo doutor da igreja Agostinho (354 até 430 d.C.): um sacramento resulta da ligação de um elemento visível com uma palavra que se refere à realidade que se encontra por detrás dessa palavra.
Um sacramento resulta legitimamente da inter-relação de quatro grandezas:
- sinal (do latim: ("signum"/"materia"), sendo este o rito, ou o elemento visível,
- teor (do latim: ("res"/"forma"), a presença da salvação,
- ministrante (mediador do sacramento),
- fé (do recetor), para que o sacramento seja recebido para o fim a que se destina, que é a salvação.
A validade dos sacramentos não está relacionada com a sua interpretação ou com a perceção que temos deles, dependendo unicamente das quatro grandezas acima referidas. O sinal ("signum") e o teor ("res") são interligados através da palavra ("verbum"), isto é, a palavra de instituição ou consagração pronunciada pelo ministrante.
Visto não se tratar de um processo mágico e, ao mesmo tempo, automático, a fé do recetor é uma condição indispensável para que o sacramento possa desenvolver o seu efeito salvífico. No entanto, até mesmo a incredulidade não consegue tornar o sacramento inválido, porque o que Deus faz, nenhum recetor descrente consegue abolir.
A administração legítima dos sacramentos cabe aos apóstolos. Eles foram incumbidos por Cristo de criar o acesso devido aos sacramentos. Mesmo que nem todos os sacramentos sejam ministrados pessoalmente por eles ou por aqueles que os apóstolos encarregaram de o fazer, os sacramentos continuam a estar dentro de uma relação apostólica.
Existem três sacramentos (1Jo 5,6-8): Santo Batismo com Água, Santo Selamento e Santa Ceia. Todos foram instituídos por Jesus Cristo. [13]
Através do Santo Batismo com Água, o Homem entra numa primeira relação de proximidade com Deus, torna-se cristão e, em função da sua fé e da profissão de fé em Cristo, passa a pertencer à Igreja (vide 8.1). Através do Santo Selamento, Deus oferece ao batizado o dom do Espírito Santo. Ambos os sacramentos juntos formam a regeneração de água e espírito. Através dela, o Homem adquire a filiação divina e fica vocacionado para fazer parte da multidão das primícias aquando da revinda de Cristo (vide 8.3). A Santa Ceia mantém o regenerado na comunhão de vida íntima com Jesus Cristo. Para produzir este efeito, este sacramento tem de ser recebido repetidamente com fé (vide 8.2).
Os sacramentos também são ministrados a crianças (Mt 19,14).
SÍNTESE
Os sacramentos são comunicações fundamentais da graça de Deus. (8)
A salvação nos sacramentos é baseada na encarnação, na morte sacrificial e na ressurreição de Jesus Cristo, bem como no envio e na atuação do Espírito Santo. A administração certa dos sacramentos cabe aos apóstolos enviados por Cristo. (8)
Um sacramento resulta da ligação de um elemento visível com uma palavra que se refere à realidade que se encontra por detrás dessa palavra. (8)
Um sacramento resulta da interrelação de quatro grandezas: sinal, teor, ministrante e fé. (8)
A fé é o pré-requisito para que o sacramento possa desenvolver o seu efeito salvífico. (8)
Jesus Cristo instituiu três sacramentos: Santo Batismo com Água, Santo Selamento e Santa Ceia. (8)
[13] Cf. Mt 28,19.20; Jo 3,5; Lc 22,19.20; Jo 6,53-58; 1Cor 11,23-26; relativamente à diferenciação entre Santo Batismo com Água e Santo Selamento, vide Actos 8,14-17; 19,1-6.