- Table of content
- 3.4.1 O Filho unigénito de Deus
- 3.4.2 O Verbo encarnado
- 3.4.3 Jesus Cristo, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus
- 3.4.4 Indicações referentes a Jesus Cristo no Antigo Testamento
- 3.4.5 Jesus Cristo — o Redentor
- 3.4.6 Títulos de majestade atribuídos a Jesus
- 3.4.7 Ministérios de Cristo — Rei, Sacerdote e Profeta
- 3.4.8 Testemunhos neotestamentários referentes à pessoa e à atuação de Jesus Cristo
- 3.4.9 Paixão e morte sacrificial de Jesus
- 3.4.10 Atuação de Jesus Cristo no reino dos mortos
- 3.4.11 Ressurreição de Jesus Cristo
- 3.4.12 Ascensão de Jesus Cristo
- 3.4.13 Jesus Cristo como cabeça da Igreja
- 3.4.14 Jesus Cristo como cabeça da criação
- 3.4.15 Promessa da revinda de Jesus Cristo
3.4.2 O Verbo encarnado
Em Jo 1,1-18 são feitas afirmações fundamentais sobre a existência de Deus e a Sua manifestação no mundo. Fala-se do princípio, da origem, que condiciona tudo e do qual tudo parte. Este princípio, que em si é incondicional e se situa para além de toda a temporalidade, é associado estreitamente ao termo usado na língua grega "Logos", que, regra geral, é traduzido pelo termo "Verbo". O Logos, este poder, é o princípio da criação. O Verbo e Deus estão sempre diretamente correlacionados: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus» (Jo 1,1). Deus e o Verbo existem desde toda a eternidade.
Em Jo 1,14, dá-se prova da presença do Logos na Terra: «E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.» O Verbo divino supraterreno, que no princípio está com Deus, entra agora na esfera terrena, até mais do que isso: faz-se carne — o Verbo eterno torna-se um verdadeiro Homem.
A humanidade do Filho de Deus, a realidade histórica do "verbo que se fez carne", é refletida nesta afirmação: «vimos a sua glória». Aqui, faz-se referência ao círculo dos testemunhos da atuação de Jesus na Terra. Os apóstolos e os discípulos tiveram comunhão direta com Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne (1Jo 1,1-3).
A glória do Pai no além torna-se uma realidade histórica experienciável na glória do Filho no aquém. Assim sendo, o Filho de Deus pode afirmar: «Quem me vê a mim vê o Pai!» (Jo 14,9).
O texto bíblico em Heb 2,14 explica a razão pela qual o Verbo se fez carne: «E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele [Jesus Cristo] participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo».