- Table of content
- 3.4.1 O Filho unigénito de Deus
- 3.4.2 O Verbo encarnado
- 3.4.3 Jesus Cristo, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus
- 3.4.4 Indicações referentes a Jesus Cristo no Antigo Testamento
- 3.4.5 Jesus Cristo — o Redentor
- 3.4.6 Títulos de majestade atribuídos a Jesus
- 3.4.7 Ministérios de Cristo — Rei, Sacerdote e Profeta
- 3.4.8 Testemunhos neotestamentários referentes à pessoa e à atuação de Jesus Cristo
- 3.4.9 Paixão e morte sacrificial de Jesus
- 3.4.10 Atuação de Jesus Cristo no reino dos mortos
- 3.4.11 Ressurreição de Jesus Cristo
- 3.4.12 Ascensão de Jesus Cristo
- 3.4.13 Jesus Cristo como cabeça da Igreja
- 3.4.14 Jesus Cristo como cabeça da criação
- 3.4.15 Promessa da revinda de Jesus Cristo
3.4.3 Jesus Cristo, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus
O reconhecimento, de que Jesus Cristo é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, ou seja, a doutrina das duas naturezas de Cristo, foi definido como conteúdo doutrinal no Concílio de Chalcedon (451 d.C.). Esta doutrina da dupla natureza de Jesus ultrapassa os horizontes da experienciabilidade e da imaginação do Homem. Trata-se de um mistério.
A encarnação do Filho de Deus é descrita em Fl 2,6-8 como sendo servilismo: «Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.»
Jesus partilhou com os homens todo o espectro das emoções corporais e espirituais. Na Sua humanidade, Ele tinha um corpo e as respetivas necessidades. Em Lc 2,52 está escrito que Jesus crescia em sabedoria, e em estatura e em graça para com Deus e os homens. No casamento em Canaã, Ele se alegrou com os que estavam alegres. Sofreu com os tristes e chorou quando Lázaro morreu. Sentiu fome enquanto estava no deserto; sentiu sede quando chegou à fonte de Jacob. Sentiu a dor quando os soldados Lhe bateram. Face à Sua morte iminente na cruz, Ele admitiu: «A minha alma está cheia de tristeza, até à morte» (Mt 26,38).
O facto de Jesus Cristo ser verdadeiramente um homem é expresso em Heb 4,15. Ao mesmo tempo, este texto bíblico também frisa a diferença entre Ele e todos os restantes homens: Ele é imaculado.
Da mesma forma, Jesus Cristo é verdadeiro Deus.
Tanto a Sua filiação divina como a existência divina de Jesus Cristo são comprovadas na Escritura Sagrada. Quando Jesus foi batizado no rio Jordão, ouviu-se uma voz vinda do céu: «Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo» (Mt 3,17). Aquando da transfiguração, o Pai também realçou a filiação divina de Jesus e acrescentou a advertência de que todos deveriam escutá-Lo (Mt 17,5).
As palavras de Jesus «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer» (Jo 6,44) e «Ninguém vem ao pai senão por mim» (Jo 14,6) expressam uma igualdade de autoridade divina entre Deus, o Pai, e Deus, o Filho. O Pai traz o Homem para junto do Filho, e o Filho conduz o Homem para junto do Pai.
Só como verdadeiro Deus é que Jesus Cristo conseguiu afirmar: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10,30), expressando assim, na maior simplicidade linguística, que, em natureza, é idêntico ao Pai.
Outros textos bíblicos que comprovam que Jesus Cristo é verdadeiro Deus, são os seguintes:
o comportamento dos apóstolos após a ascensão: «E, adorando-o [Jesus Cristo] eles» (Lc 24,52);
a afirmação em Jo 1,18*: «A Deus jamais alguém o viu; o Filho unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer»;
o testemunho dado pelo apóstolo Tomé, depois de ter visto o Ressuscitado: «Senhor meu, e Deus meu» (Jo 20,28);
a profissão de fé na natureza de Jesus no hino a Cristo: «nele habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade» (Cl 2,9);
o testemunho dado em 1Jo 5,20: «e no que é verdadeiro estamos, isto é, no seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna»;
a afirmação: Deus, «aquele que se manifestou em carne» (1Tm 3,16).
* Bíblia da Difusora Bíblica. Edição e copyright, vide «Observações referentes à redação dos textos».